A professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participou na segunda-feira (23/2) do programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura. Durante a entrevista, a pesquisadora apresentou ao público a trajetória científica da polilaminina, substância desenvolvida em laboratório da UFRJ que tem possibilitado avanços no tratamento de pessoas com lesão medular.
Chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana utilizou a expressão “colar de pérolas” para facilitar a compreensão da descoberta. A metáfora surgiu ao observar, em laboratório, a forma como fragmentos da laminina, proteína utilizada em cultura celular se organizavam estruturalmente.
“No laboratório de pesquisa, utiliza-se a laminina comercializada em pequenas frações. Um dia, observei uma espécie de colar de pérolas se formando. Ao perceber como essas ‘pérolas’ se associavam, surgiu a pergunta: será que a pérola tem funções diferentes do colar? No laboratório, sim; no rato, sim; e como medicamento, parece que sim”, explicou a professora.
A entrevista marcou também a estreia do jornalista Ernesto Paglia como apresentador do programa e contou com perguntas de jornalistas, universitários e do público. Entre os temas abordados estiveram aspectos técnicos da pesquisa, metodologia científica, indicações clínicas, financiamento da ciência, patentes, judicialização do acesso ao tratamento e os desafios da transferência tecnológica.
Durante o programa, foi exibido o depoimento de Bruno Freitas, paciente beneficiado pelos testes com a polilaminina, reforçando o impacto social da pesquisa. A cientista destacou que as aplicações intramedulares vêm sendo realizadas por equipe devidamente treinada e ressaltou que o medicamento experimental não é comercializado.
“Os medicamentos experimentais não podem ser cobrados. Ninguém paga pela polilaminina. Ela está sendo doada e fornecida sem custos pelo laboratório Cristália”, esclareceu, alertando para possíveis tentativas de golpes envolvendo a substância.
Além da repercussão científica, Tatiana Sampaio aproveitou o espaço para defender a valorização da universidade pública e o financiamento à pesquisa. “Nunca desejei essa exposição excessiva, mas um efeito colateral benéfico é trazer para o debate público a importância da ciência, da remoção de entraves burocráticos e da valorização da pesquisa como motor do desenvolvimento nacional”, afirmou.
A entrevista completa pode ser assistida no canal oficial do programa no YouTube acessando AQUI
A participação no Roda Viva consolida a polilaminina como um dos mais promissores resultados recentes da ciência brasileira, evidenciando o papel estratégico da UFRJ na produção de conhecimento com impacto direto na saúde e na sociedade.
Fonte: Conexão UFRJ


